quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Só melhorias em porto poderão baratear frete


Antes disso, as empresas de transporte de cargas do modal rodoviário manterão a elevação dos custos para os clientes, para não perderem mais rentabilidade. "Os gargalos que encarecem o frete estão nas pontas do processo. É inadmissível, por exemplo, que um caminhão demore de 6 a 72 horas para descarregar uma carga em um porto. Isso impacta diretamente os preços, já que se perde um dia de viagem porque há um gargalo no porto para carga e descarga", avalia o diretor-comercial-corporativo da Gafor Logística, Luiz Carlos Magalhães.

Segundo Magalhães, o tempo perdido no processo de carga e descarga é um dos principais fatores do encarecimento do frete rodoviário nos últimos anos. Somente entre 2012 e 2013, o valor subiu, em média, 20%.

O especialista em Logística e Transportes da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) Dênis Borenstein explica que a dependência exclusiva do modal rodoviário para o transporte de cargas no Brasil também encarece o preço final do produto, ainda que com uma manutenção mais barata. "O gasto com combustíveis é muito maior do que o do modal ferroviário, por exemplo. Países que já têm ferrovias desenvolvidas economizam 30% mais que o Brasil em logística. Além disso, a falta de segurança também encarece o frete, já que os roubos de carga têm-se tornado cada vez mais frequentes", explica o especialista.

O problema também é apontado pelo diretor-comercial-corporativo da Gafor Logística. "A falta de segurança nas rodovias é uma das nossas maiores dificuldades: impacta o preço do seguro e, com isso, o preço do frete, claro", detalha Magalhães.

Segundo dados do Sindicato das Empresas de Transportadores de Cargas de São Paulo e Região (Setcesp), em 2011, no Estado de São Paulo, foram quase 7 mil as ocorrências desse tipo, representando uma perda de R$ 295 milhões para as empresas.

Já sobre as condições das rodovias, que também são alvo de crítica do professor da UFRGS, o diretor da Gafor Logística diz que o tamanho do problema costuma variar de acordo com a região. "O nível das estradas depende da região. No sudeste não temos grandes problemas na maior parte das rodovias, mas no nordeste, por exemplo, temos problemas sérios. Isso aumenta muito os gastos com a manutenção."

Mão de obra

Outra dificuldade apontada pelo diretor-corporativo da Gafor Logística é a falta de mão de obra qualificada. Segundo Magalhães, a dificuldade de encontrar motoristas provocou a subida da remuneração dos profissionais e, consequentemente, o aumento do preço do frete. "Hoje nós chegamos a demorar até seis meses para preencher uma vaga de motorista porque o cargo exige muito mais do que há alguns anos. Os caminhões estão mais modernos, o transporte de alguns produtos exige uma formação especial. O Brasil hoje vive um apagão de mão de obra desse tipo. Com isso, temos que oferecer treinamentos mais completos e aumentar a remuneração dos funcionários", explica Magalhães, que destaca que a folha de pagamento tem representado um aumento de 25% nos gastos da empresa. 

Além disso, a Lei 12.619, de 2012, que determina períodos obrigatórios de descanso para caminhoneiros, provocou a necessidade de novas contratações, o que elevou o preço do frete em cerca de 20% no fim de 2012. "Nós reajustamos os preços assim que a lei foi promulgada. As operações de longa distância estão mais caras por conta disso. Isso pode ser visto pelo reajuste de preços ou pelo aumento do tempo para a entrega da carga, em razão da carga horária do motorista", explica Luiz Magalhães. "O que nós estamos fazendo é otimizar o tempo de carga e descarga para reduzir esse impacto. Antigamente o embarcador não tinha essa preocupação, mas hoje tem", completa.

Competitividade

Em meio a todos os entraves apresentados pelo setor, as empresas têm buscado alternativas para baratear a manutenção dos veículos. O investimento em tecnologia para melhorias mecânicas, por exemplo, é visto pelo setor como a única alternativa a curto prazo para amenizar o impacto financeiro.
Para Getúlio Correa Júnior, presidente da Technical Fairs, empresa promotora da Expofrota - Feira Internacional de Transporte Rodoviário, que deverá acontecer em setembro no Mato Grosso, além de todos os problemas apontados por empresários do setor, o Brasil ainda sofre por falta de competitividade entre as empresas. "O que nós vemos é que o custo é alto por causa da lei de oferta e procura. Quanto mais empresas transportadoras existirem, melhor será para o cliente, independentemente do tipo de modal", defende. "Além disso, é preciso trazer alternativas à manutenção, novas tecnologias para torná-la mais barata. Estamos nos preparando para oferecer uma renovação tecnológica, já que reduzindo o custo da manutenção, é possível reduzir o custo do frete."

Fora a troca de tecnologia de transportes, a Expofrota terá congressos e rodas de negócios, voltados exclusivamente aos empresários do ramo. "Vamos contemplar várias plataformas, que oferecem uma ampla base de prospecção, com significativas possibilidades de negócios com empresas de pequeno, médio e grande porte. Acompanhando tendências internacionais, de forma inédita no Brasil, a feira vai oferecer possibilidades de projeção de marca e alavancagem corporativa, com muitas perspectivas". A organização da feira espera 10 mil investidores vindos do Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás, da Bolívia e do Paraguai.

Fonte.: DCI


quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Governo sanciona lei de depreciação acelerada para caminhões


A presidente Dilma Rousseff sancionou com vários vetos o mecanismo de depreciação acelerada de caminhões e de vagões e locomotivas, criado no ano passado para estimular a indústria em um momento de tombo nas vendas e produção de veículos comerciais.

O mecanismo, anunciado no final de agosto, permite a redução da base de cálculo do Imposto de Renda de veículos comprados ou encomendados entre setembro e o final de 2012. O incentivo foi decidido junto com um amplo pacote que também reduziu juros de financiamentos para aquisição de bens de capital.

Segundo o texto da lei 12.788, de 14 de janeiro, "para efeito de apuração do imposto sobre a renda, as pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real terão direito à depreciação acelerada, calculada pela aplicação da taxa de depreciação usualmente admitida multiplicada por três, sem prejuízo da depreciação contábil".

A lei foi sancionada pela presidente com 12 vetos. Um deles barrou que o benefício se aplicasse também a carros de passageiros de metroferroviários, equipamentos portuários e embarcações mercantes.

A presidente justificou o veto afirmando que os dispositivos "ampliam o escopo da medida original, sem, no entanto, apontarem os devidos estudos de impacto de caráter orçamentário-financeiro necessários à renúncia de receita".

Houve veto também à inclusão de produtor rural pessoa física como pessoa jurídica capaz de receber o benefício.

A lei foi sancionada com inclusão de autorização à União para concessão de crédito no valor de 15 bilhões de reais aos agentes financeiros do Fundo da Marinha Mercante.

Fonte.: Reuters


Multa por dirigir falando ao celular será considerada infração grave


A Comissão de Viação e Transportes da Câmara dos deputados aprovou a reclassificação, de média para grave, da multa aplicada ao motorista que dirige utilizando aparelho celular.

“Conforme a proporcionalidade de penas previstas no Código Brasileiro de Trânsito, julgamos mais apropriado que se considere esses comportamentos como infração grave”, argumentou o deputado Edinho Bez (PMDB-SC), autor da proposta.

A medida também altera a redação do Código de Trânsito Brasileiro (CTB – Lei 9.503/97) para estabelecer que dirigir com um único fone de ouvido, sem referir a fonte de emissão sonora, é infração média de trânsito. Atualmente, a lei diz que é média a infração de dirigir veículo “utilizando-se de fones nos ouvidos conectados a aparelhagem sonora ou de telefone”.

“Concordamos, no entanto, com a ideia de se permitir o uso de telefone celular durante a condução de veículos desde que com o auxílio de tecnologia hands-free (mãos livres) que possibilitam atender o aparelho ou discar sem usar o teclado, pois o condutor teria assim suas mãos livres, mantendo a conversação como se estivesse a falar com alguém sentado a seu lado”, disse Bez.

Legislação

O CTB estabelece quatro níveis de multas:
gravíssima: R$ 191,54 e ainda sete pontos na carteira (o valor pode ser multiplicado em até cinco vezes em certas circunstâncias);
 
grave: R$ 127,69 e 5 pontos na carteira;
média: R$ 85,13 e 4 pontos na carteira; e
leve: R$ 53,20 e 3 pontos na carteira.

Fonte.: Portal Transporta Brasil


Ninguém aguenta mais tanta multa, afirma empresário


"Ninguém aguenta mais tanta multa", desabafa o empresário Manoel Sousa Lima Jr., presidente do Setcesp (sindicato das transportadoras de carga).

Ele afirma que os caminhões têm recebido tantas autuações que foi criado um setor específico na entidade para os recursos.

Os advogados fazem uma triagem e descartam as multas com menos chances de vitória, mas mesmo assim o volume sobrecarrega os funcionários. "É coisa de 50, cem por dia", afirma.
Para o presidente, além do aperto na fiscalização, dois motivos explicam o alto número de multas.

Primeiro, há motoristas de fora que ainda não conhecem todas as restrições em vigor na cidade. Em segundo lugar, veículos incluídos nas exceções às regras que, mesmo liberados pela CET, são multados.

"Eles multam e depois pedem para recorrer. Acho que falta um sistema adequado para checar se o veículo está liberado."

VALORES

A arrecadação com multas de trânsito, de acordo com o que prevê o Orçamento aprovado para 2013, será de R$ 925 milhões.

"O dinheiro deveria ser investido na redução de acidentes de trânsito e no aumento da fiscalização, o que não acontece hoje", diz o consultor Horário Figueira. Para ele, multas privilegiam a fluidez.

Fonte.: Folha de S. Paulo


terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Montadoras vão informar se cumpriram as novas regras


As montadoras não terão dificuldades para calcular o conteúdo local dos automóveis que fabricam sob o Inovar-Auto, o novo regime automotivo que entrou em vigor no início do ano. Sem um sistema de rastreamento e certificação, que ainda está sob estudos técnicos, o governo vai aceitar a mera declaração das fabricantes. Cada empresa dirá se cumpriu ou não o requisito.

Um sistema de certificação de origem para máquinas, motores e componentes - como a injeção eletrônica - só deve ficar pronto no fim de 2013, segundo técnicos ouvidos pela reportagem. O governo não vê risco, porque pode a qualquer momento auditar notas fiscais das montadoras para comprovar, ainda que no futuro, se a regra foi cumprida.

A elaboração do sistema tampouco é simples. O governo enviou técnicos para visitar países europeus e o coração da indústria automotiva norte-americana, em Detroit, para conhecer como é feito o controle nesses países. Um componente de injeção eletrônica, por exemplo, possui peças internas cuja origem é de difícil comprovação.

Uma das razões do governo para optar pela declaração das montadoras é o fato de que essas empresas, na maioria das vezes, possuem participação acionária nos grandes fornecedores de motores e outros "sistemas" do veículo. Assim, a montadora atrai essa empresa para o Brasil, como forma de cumprir o conteúdo local, facilitando a vida dos técnicos.

Preço. Acostumado a desembolsar um dos maiores preços do mundo na hora de comprar um carro, o consumidor brasileiro vai continuar pagando o mesmo pelos veículos produzidos sob o novo regime automotivo. Mas isso vai significar economia, segundo a secretária de Desenvolvimento da Produção do Ministério do Desenvolvimento, Heloísa Menezes, porque os itens que antes eram opcionais vão se tornar, aos poucos, componentes de série, sem custo adicional.

O governo aposta em dois outros pontos que terão impacto sobre o preços dos veículos: o ganho de escala das montadoras e dos fabricantes de autopeças, com o aumento de quase meio milhão na produção anual de carros; e a concorrência. Pressionado pelo Itamaraty e pelo Ministério do 
Desenvolvimento, o governo aceitou habilitar montadoras que não fabricam seus carros em território brasileiro. "Com os carros com maior conteúdo tecnológico, o que era opcional vai deixar de ser e entra como item de série", diz Margarete Gandini, coordenadora-geral de Arranjos Produtivos Locais do Ministério do Desenvolvimento.

A transformação de opção em regra deve abranger, de início, itens conhecidos pelo consumidor, como motores elétricos para os vidros, travas e retrovisores, até chegar a componentes considerados hoje como "de luxo", como câmeras e sensores de estacionamento.

Um grupo de 45 montadoras que já pediram habilitação no Inovar-Auto prometeu investir R$ 5,5 bilhões até o fim do regime, em 2017. Até lá, o governo abrirá mão de R$ 12,2 bilhões em impostos do setor, para estimular essa indústria.

Fonte.: O Estado de S. Paulo