segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Estocagem de safra de grãos derruba em 13% vendas de caminhões no ano



A indústria de caminhões projetava alta para 2014 baseada na previsão de safra recorde. No entanto, a estocagem de grãos - devido à baixa dos preços das commodities - adiou a renovação da frota e as montadoras podem amargar um recuo entre 11% e 13%.

O efeito da queda das vendas de caminhões já se reflete na cadeia de fornecedores. "Além da desaceleração da economia, que afeta profundamente a cadeia, a safra está esperando para ser escoada, devido à baixa dos preços. O mercado vai fechar o ano em queda", afirmou ao DCI o diretor de exportação e marketing da fabricante de carrocerias Randon, Cesar Pissetti.

Segundo a MAN Latin America (que fabrica os caminhões Volkswagen), o mercado registrou um recuo entre 14% e 15% até o momento e a situação é pior em extrapesados, amplamente usados no transporte da safra.

"Imaginávamos que este segmento cresceria muito mais, no entanto, está caindo cerca de 22% até agora", afirma o vice-presidente de vendas, marketing e pós-vendas da MAN, Ricardo Alouche.

A única linha que tem crescido, de acordo com o executivo, é a de caminhões pesados, que representam a menor fatia das vendas no País. "Se não fosse o volume de vendas para o Ministério do Desenvolvimento Agrário [MDA], a queda teria sido superior a 20%", destaca.


Finame
As montadoras estavam otimistas no início deste ano e esperavam um crescimento das vendas entre 8% e 11% em relação a 2013.

No entanto, o financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para a compra de bens de capital (PSI/Finame) saiu somente no final de janeiro, o que empurrou para frente às encomendas. "Além disso, o Carnaval tardio e a Copa afetaram o mercado muito mais do que o esperado", destaca Alouche.

Para o executivo da Randon, ainda que as condições do financiamento do BNDES estejam favoráveis, atualmente, não há um ímpeto de renovação da frota. "Se não há carga para transportar, as vendas não virão tão fortes mesmo com o Finame", diz Pissetti.

Há alguns meses, o governo decidiu prorrogar as condições do crédito do BNDES, que incluem juros de 6% ao ano, considerados abaixo da inflação. "Trata-se de juros negativos", pondera Alouche.

O vice-presidente da MAN acredita que, independentemente de quem assuma o próximo governo, a tendência é que o Finame sempre seja mantido com taxas atrativas.

"Dificilmente as taxas atuais serão mantidas porque custam muito caro para o governo. Mas se aumentar muito, a demanda vai cair e haverá demissões", avalia Alouche.

Atualmente, a fabricante dos caminhões Volkswagen mantém cerca de 200 funcionários em regime de lay-off (suspensão temporária do contrato de trabalho) na unidade de Resende, no Rio de Janeiro. "Em dezembro, eles devem voltar ao trabalho gradativamente", acredita o executivo.

"Acreditamos em uma retomada branda da economia, o que deve atenuar queda do setor", destaca Ricardo Alouche.


Efeito cascata
Recentemente, em entrevista ao DCI, fabricantes como a Cummins (motores a diesel) e a BorgWarner (turbocompressores) informaram que já adotaram medidas para adequar a produção, como corte de turno, por exemplo. A queda esperada pelos mais diversos fornecedores da cadeia gira em torno de 10%, neste ano.

"Esperamos um aquecimento das vendas a partir de outubro, mas longe de ser uma mudança na economia", pondera o vice-presidente da MAN.

Segundo o diretor da Randon, como a economia brasileira deve fechar o ano com baixo crescimento ou até recuo, a indústria de implementos rodoviários deverá registrar declínio das vendas em 2014.

"Se não houver uma verdadeira reviravolta, o mercado de carrocerias fechará o ano em queda, principalmente no segmento pesado", diz Pissetti.

De acordo com a Associação Nacional dos Fabricantes de Implementos Rodoviários (Anfir), de janeiro a agosto as vendas do setor caíram 10,68% sobre igual período de 2013. A perspectiva da entidade é de que os números para o fechamento do ano não sejam muito diferentes.

Para o vice-presidente da MAN, a expectativa é que o segundo semestre seja melhor. "A situação do mercado não está nada confortável, mas ao menos estamos mantendo nosso share", ressalta Alouche.

Fonte:  DCI

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Proposta de consórcio para construção do Rodoanel Norte é homologada



Os documentos entregues pela 'Odebrecht Transport S.A., Barbosa Mello Participações e Investimentos S.A e Ecorodovias Infraestrutura e Logística foram analisados e não foram encontradas irregularidades

A Secretaria de Estado de Transportes e Obras Públicas (Setop) homologou a única proposta recebida para a construção do Rodoanel Norte, uma das intervenções que deve aliviar o tráfego no Anel Rodoviário de Belo Horizonte.

O valor ofertado pelo grupo ficou 0,11% abaixo do valor máximo previsto no edital, de R$ 20,750 milhões. Além da contraprestação, a concessionária também será remunerada pela receita tarifária.

O Rodoanel Norte vai ter 66,7 quilômetros e deverá integrar os municípios de Leste a Oeste da Região Metropolitana de Belo Horizonte, fazendo a ligação entre a BR-381 - saída para Vitória -, com a mesma rodovia na saída para São Paulo, cruzando a BR-040- saída Brasília -, além de rodovias estaduais, como a MG-010. Serão interligados os municípios de Sabará, Santa Luzia, Vespasiano, São José da Lapa, Pedro Leopoldo, Ribeirão das Neves, Contagem e Betim.

O projeto terá curvas e rampas suaves, pontes, viadutos e passarelas, que proporcionam conforto, segurança e economia. Terá pista dupla (com capacidade de expansão para até quatro faixas por sentido), canteiro central de 15 metros, faixa de segurança e acostamento de três metros. Em Betim, serão construídas vias marginais para comportar o tráfego local.

O consórcio terá que elaborar os projetos de engenharia, implantar e executar as obras e ser responsável pela administração, por um período de 30 anos. O custo do investimento nas obras de implantação é estimado em R$ 4 bilhões, com previsão de quatro anos de duração das obras de implantação.

Fonte: Estado de Minas

Arteris inclui duplicação de trecho de rodovia em SP em contrato



A Arteris acordou com a Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp) a inclusão no contrato de concessão de nova obra na SP 318, pelo valor estimado de 91 milhões de reais.

A obra prevê a duplicação de 14 quilômetros da rodovia, entre os quilômetros 253 e 249.

O reequilíbrio econômico-financeiro da companhia devido às obras se dará com a extensão do prazo de concessão do contrato da Autovias, estimada por 6 meses, levando o término da concessão para maio de 2019.

Fonte: Reuters Brasil

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Concessionárias ganham mais prazo em sistema de pedágio



A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) deu mais tempo para que as concessionárias se adaptem a exigências da regulamentação do sistema de arrecadação eletrônica de pedágio nas rodovias federais, estabelecida em fevereiro deste ano.

De acordo com resolução publicada no Diário Oficial da União (DOU), as concessionárias têm mais 60 dias para instalar os equipamentos de pista, sistemas, processos e sinalização viária destinados à efetiva operação do padrão 915 MHz.

O prazo inicialmente previsto para essa adaptação terminava agora em setembro.

Segundo a regulamentação, os chamados tags, equipamentos de identificação dos veículos, deverão migrar do modelo tecnológico de 5,8 GHz e 915 MHz-Gen2 para o padrão 915 MHz do sistema de arrecadação eletrônica de pedágio.

O texto estabelece que a adequação, substituição ou implantação e manutenção dos equipamentos instalados em pista, sistemas, processos e sinalização viária para a arrecadação eletrônica de pedágio é de responsabilidade da concessionária da rodovia.

Já os tags serão de responsabilidade das Administradoras de Meios de Pagamento para Arrecadação de Pedágio (Amaps) autorizadas pela ANTT.

Fonte: Estadão Conteúdo

Rodovias de SP terão mais 425 radares fixos



Começam a ser instalados em outubro deste ano 425 novos radares fixos para fiscalização da velocidade nas rodovias do Estado de São Paulo. Os equipamentos, dos quais 111 serão do tipo lombada eletrônica, serão dispostos na malha rodoviária estadual não concedida à iniciativa privada. Nas rodovias sob concessão, operam pouco mais de duzentos radares fixos.

De acordo com o secretário de Transportes e Logística do Estado, Clodoaldo Pelissioni, com o fim do julgamento dos recursos, a licitação aberta no início do ano pode ser homologada. Os equipamentos estão em processo de aferição pelo Instituto Nacional de Metrologia (Inmetro). "Foram muitos recursos, mas ganhamos todos e confirmamos a empresa que apresentou o menor preço para instalar e operar os radares."

O Consórcio SVS, do grupo Splice, de Votorantim, venceu os concorrentes nos 14 lotes colocados em disputa. Os equipamentos serão instalados em 144 trechos de estradas. Segundo Pelissioni, a licitação foi precedida de um estudo que indicou os pontos críticos entre os 16,4 mil quilômetros de rodovias administrados pelo Departamento de Estradas de Rodagem (DER).


Duplicação
O secretário participou de assinatura de contrato para a retomada das obras do primeiro lote de duplicação da rodovia João Leme dos Santos (SP-364), na prefeitura de Sorocaba. Os trabalhos estavam paralisados desde junho de 2014.

Pelissioni anunciou ainda um prolongamento de um quilômetro na marginal da Rodovia Raposo Tavares (SP270), em Sorocaba, e a construção de um viaduto para dar acesso ao novo hospital regional, em fase inicial de obras.

Fonte: Agência Estado

MPT quer que a ANTT exija a adoção do tacógrafo digital



O Ministério Público do Trabalho (MPT) recomendou à Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) que implemente regulamentação administrativa exigindo a adoção do tacógrafo digital para os veículos destinados ao transporte de carga no país. O equipamento registra de forma automática os dados relativos à condução dos veículos, tempo de direção e de repouso dos condutores. A recomendação foi encaminhada à Agência Reguladora, no dia 15 de setembro, após várias reuniões do MPT com dirigentes da ANTT. O documento pede que todos os veículos de carga que necessitem do Registro Nacional de Transportadores Rodoviários de Cargas passem, em prazo razoável, ainda não definido, a adotar o tacógrafo digital.

O MPT entende que essa providência irá viabilizar o controle do tempo de direção e permitir aos órgãos de fiscalização do trabalho e do sistema nacional de trânsito a elaboração de políticas públicas que garantirão à sociedade um trânsito mais seguro e condições dignas de trabalho aos motoristas profissionais.

O equipamento digital é mais seguro e mais preciso do que o analógico e permite comprovar se os motoristas e as empresas de transporte cumprem a legislação quanto ao tempo de condução e de repouso dos motoristas.

Caos – O setor do transporte rodoviário brasileiro vem sendo investigado pelo MPT desde 2007. As milhares de mortes envolvendo motoristas de carga geram um prejuízo anual de mais de R$ 60 bilhões à sociedade. O MPT também constatou que o excesso de jornada é o principal causador do caos rodoviário, levando cerca de 30% dos motoristas profissionais ao uso de drogas.

Segundo o procurador do trabalho Paulo Douglas Almeida de Moraes, “neste cenário, torna-se essencial o efetivo controle da jornada de trabalho e do tempo de direção dos motoristas, tarefa que se mostra dificultada pelas vulnerabilidades do tacógrafo tradicional, que além de dificultar a coleta de informações é suscetível a fraudes”, ressalta.

Fonte: Agora MS

SP vai ter verba federal para mais 6 corredores de ônibus



Foi assinado um convênio de liberação, por meio do PAC – Programa de Aceleração do Crescimento, de R$ 2,6 bilhões entre a prefeitura de São Paulo e a Caixa Econômica Federal . Deste total,  R$ 1,9 bilhão é para a mobilidade urbana sendo possível construir corredores de ônibus que somam 52,4 quilômetros, além de obras viárias de aperfeiçoamento.

Entre as vias que irão receber as novas estruturas estão:
– BRT Perimetral Bandeirantes – Salim Farah Maluf – 16 quilômetros de extensão e que vai contar com R$ 487 milhões do PAC.
– Prolongamento Itaim Paulista – São Mateus – 18 quilômetros de extensão que vai contar com R$ 529 milhões do Governo Federal.
– Estrada de M’Boi Mirim/estrada da Cachoeirinha (pré-qualificação concluída) – R$ 283 milhões
– Avenida Carlos Caldeira Filho (pré-qualificação concluída) – R$ 218 milhões
– Estrada de M’Boi Mirim/estrada Guavirutuba (pré-qualificação concluída) – R$ 266 milhões
– Avenida Belmira Marin trecho 1 (pré-qualificação concluída) – R$ 205 milhões

Segundo o governo federal, os seis corredores somam 52,4 quilômetros de extensão e serão do tipo Bus Rapid Transport (BRT), que tem estrutura que garante a velocidade dos ônibus e espaços para ultrapassagens.


Reorganização das linhas
De acordo com prefeitura, os corredores serão determinantes para a reorganização das linhas municipais que deve ocorrer no ano que vem. Eles vão receber veículos de maior porte, como articulados, superarticulados e biarticulados, que vão substituir diversas linhas hoje que chegam à região central e às outras áreas de grande movimentação na cidade.

Fonte: Via Trólebus

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Nova empresa assina contrato para retomar obras de duplicação da SP-264



O Departamento de Estradas de Rodagem (DER) assina contrato com a empresa Sobrenco Engenharia e Comércio para reiniciar as obras do lote 1 de duplicação da rodovia João Leme dos Santos (SP-264), que liga Sorocaba a Salto de Pirapora. A medida consta na edição do Diário Oficial do Estado (DOE), após o rompimento do contrato a empresa Gomes Lourenço, que abandonou em junho as intervenções no trecho. Apesar de no Diário Oficial constar prazo de 15 dias para assinatura do contrato, o secretário de Transportes do Estado, Clodoaldo Pelissioni, se reune juntamente com representantes da empresa para assinar o documento, em solenidade no gabinete do prefeito, Antonio Carlos Pannunzio (PSDB).

A partir da assinatura do contrato com o governo do Estado, o DER prevê que a empresa já comece a atuar na rodovia nos próximos dias. Máquinas e trabalhadores da nova empresa já iniciaram processo de sinalização para dar início às obras. De acordo com o edital, agora a empresa convocada terá cinco dias para recolher caução no valor de R$ 2.729.177,50 e dar início às obras. A nova empresa passará a assumir as obras remanescentes do lote 1 da duplicação da SP-264, que compreende o trecho entre os quilômetros 102 e 109,6, sendo que a antecessora realizou apenas serviços de terraplanagem da via.

O trecho do lote 1 está abandonado, desde que a Gomes Lourenço desistiu das obras. Plantas e matos crescem em trechos de terra nivelados para a construção da pista. Em alguns setores, há desníveis de até 30 centímetros de altura entre o asfalto e o canteiro sem qualquer tipo de sinalização. Trabalhadores da nova empresa removiam os matos e sinalizavam a via. Máquinas também trabalhavam "nos ajustes", segundo operários, da terraplanagem.


Os problemas
Após começar a apresentar atrasos no cronograma das obras, a então empresa vencedora da licitação para a duplicação do trecho de Sorocaba da rodovia, a Gomes Lourenço, foi multada por três vezes pelo DER. A empresa foi contratada pelo governo estadual para desempenhar o trabalho pelo valor de R$ 56,9 milhões. No final de julho, depois de as intervenções terem ficado totalmente paradas, a Gomes Lourenço decidiu por abandonar a obra. Segundo o DER, na última medição a empreiteira havia concluído apenas 5,8% das obras do lote 1, coordenadas pela empreiteira, enquanto o cronograma previa 28,8% dos serviços concluídos. Ao passar pela rodovia, é bastante visível a diferença do andamento das obras entre o lote 1 e o 2. O lote 2 compreende os kms 109,6 e 119,5, que vai desde o campus da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) até a cidade de Salto de Pirapora. A previsão para conclusão das obras do lote 2 é para fevereiro de 2015, sendo que a empresa Compec Galasso desempenha o trabalho pelo valor de R$ 57,2 milhões. Esse era o mesmo prazo inicial para a finalização do lote 1, porém por conta de toda essa problemática, haverá atrasos.


Otimismo
Motoristas que se utilizam diariamente da rodovia estão otimistas em relação à retomada das obras e esperam que a partir de agora elas sejam intensificadas e não haja mais interrupções. "A duplicação dessa rodovia era uma expectativa muito grande de anos. Quantas vidas não se perderam por conta da falta de segurança na via. Ai, vieram as obras e a paralisação de um dos trechos. Agora esperamos que tudo dê certo. Aliás do jeito que está o perigo é ainda maior", disse o aposentado José Francisco do Nascimento, de 66 anos.

O empresário Roberto Gomes Andrade também utiliza diariamente a rodovia e espera que as obras sejam intensificadas a partir de agora. "Quanto tempo após a Gomes Lourenço ter abandonado as obras para se chamar a segunda colocada. Vamos ver se esse atraso será minimizado", disse.

Mesma opinião compartilhada pela estudante Vanessa Oliveira, de 21 anos. "Pego ônibus todos os dias onde passo por essa rodovia. Ela é extremamente perigosa e do jeito que estava, piorou ainda mais. Espero que tudo se resolva o mais rápido", afirmou.

Fonte: Cruzeiro do Sul

Indústrias aplicam até 60% dos investimentos em logística




Os gargalos de infraestrutura e logística continuam sendo um custo significativo para a indústria brasileira, principalmente a de base. Empresas de segmentos diversos gastam até 60% dos investimentos de um único projeto para garantir a logística integrada e viabilizar a produção.

"Nos próximos dez anos, o forte dos investimentos da indústria brasileira será em logística. Porém, quero crer que o planejamento atual é adequado às necessidades da produção", diz o chefe do escritório local da Associação Latino-Americana de Ferrovias (Alaf) e sócio da JCP Consultores, Jean Pejo.

Para se ter uma ideia do volume de aportes destinado à logística por parte da indústria, o maior projeto da mineradora Vale, o S11D (que irá escoar minério de ferro em Carajás) tem investimento estimado de cerca de US$ 19 bilhões. Aproximadamente US$ 11,5 bilhões devem financiar a ampliação da capacidade logística.

O projeto contempla construção de um ramal ferroviário, duplicação de seções da ferrovia, terminal ferroviário e instalações portuárias. E este é apenas um dos aportes da Vale nesta seara, uma vez que a companhia aporta em diversos empreendimentos do gênero, como na expansão do Terminal Marítimo Ponta da Madeira (MA).

Para o sócio da Pezco Microanalysis e professor da ESPM, Frederico Turolla, de 2002 a 2014, a média anual de aportes em infraestrutura foi de apenas 2,1% do Produto Interno Bruto (PIB), no País. "Esta demanda cresceu brutalmente nos últimos anos principalmente por conta da expansão da China, no entanto, o Brasil não acompanhou", destaca.


Dependência
O setor de papel e celulose possui ao menos sete projetos para sair do papel nos próximos anos, no Brasil, e que dependem amplamente da logística para se concretizarem. Isso porque as plantas industriais estão cada vez mais longe da costa, fenômeno chamado de interiorização.

"A infraestrutura e a logística são os pulmões do País, uma vez que todas as outras atividades dependem delas e, hoje, este é o principal gargalo para o desenvolvimento mais acentuado da indústria", afirma o advogado do Firmo, Sabino e Lessa, Leonardo Coelho, especializado na área de infraestrutura.

Segundo o advogado, o modal rodoviário já não sustenta mais o crescimento do País, pois é caro e está estrangulado. "A vontade para depender menos de rodovias vem sendo dita como existente, mas ainda não se concretizou", destaca.

De acordo com Pejo, os projetos de infraestrutura não são bons no Brasil. Ele cita como exemplo o sistema ferroviário. "Muitos acidentes neste segmento se devem à falta de infraestrutura", diz. Ele diz ainda que as agências reguladoras precisam atuar de maneira muito mais firme na fiscalização das concessões.

"O programa de expansão das ferrovias exigirá muito mais das agências", ressalta Pejo. Para o advogado do Lessa, há problemas no marco das ferrovias. "O governo quer atrair investimentos, mas limita a liberdade da iniciativa privada. As regras não são claras", pondera.

Pejo afirma que os custos com logística nos Estados Unidos são três vezes menores do que no Brasil. "Lá, tanto o poder público quanto as empresas desembolsam altas cifras", explica. "A regulamentação é muito bem definida, diferentemente daqui. Estamos muito atrás do sistema deles", destaca.

Ele diz ainda que, uma vez no sistema de concessões, a atividade necessita de fiscalização. "Quando a atividade é privatizada, a regulamentação é essencial", reforça Pejo.

Em projetos de mineração, a logística representa até 60% dos investimentos. E se o planejamento sair do controle, o preço a se pagar é alto. É o caso da Anglo American, cujo maior projeto de transporte de minério de ferro, o Minas-Rio, precisou ter o orçamento ampliado de US$ 5,5 bilhões para US$ 8,8 bilhões, pois diversos itens não foram contemplados anteriormente.

"O gerenciamento de projetos precisa ser muito bem feito e, em minha avaliação, a fase de execução é a pior no País", destaca Pejo.

Para o advogado especializado em mineração do escritório Ribeiro Lima, Bruno Feigelson, a falta de investimentos por parte do governo é um sério problema. "Se a infraestrutura fosse adequada, os custos das empresas seriam reduzidos drasticamente", pondera.

O advogado destaca ainda a deficiência em portos como um dos principais gargalos da logística. "Existem enormes dificuldades tanto para as exportações da indústria brasileira quanto para as operações domésticas", acrescenta Feigelson.

Ele ressalta que, hoje, as mineradoras são empresas de minério e logística. "Antes, a extração era feita mais perto da costa justamente pela questão de escoamento. No entanto, a tendência atual é de interiorização e todos os projetos estão condicionados à infraestrutura", pontua.

"Se não houver logística integrada, as companhias não conseguem escoar", complementa.


Perspectivas
Para o sócio da Pezco, a expectativa para médio e longo prazo na área de infraestrutura e logística é razoável. "Independentemente do governo que entrar, deve haver manutenção dos investimentos. Os recursos de concessões serão importantes para a questão fiscal", diz Turolla.

Para o representante da Alaf, os projetos que englobam transporte de cargas, no Brasil, têm que ser uma questão de Estado e não apenas um tema para quatro anos de governo.

"A indústria já entendeu que, por mais que desenvolva programas de produtividade, se a logística emperrar, todo o ganho se perde do portão para fora da fábrica", destaca. "Um gargalo como esse pode gerar um apagão da produção", avalia.

Fonte: Portos e Navios

terça-feira, 16 de setembro de 2014

Governo quer licitar mais 5 trechos de rodovias até 2015



O governo federal projeta leiloar até o fim do primeiro semestre de 2015 as concessões de mais cinco trechos de rodovias, afirmou o ministro dos Transportes, Paulo Sérgio Passos.

De acordo com o ministro, o plano do governo, anunciado em janeiro, se mantém, mesmo que ainda não tenha acontecido nenhum dos certames previstos para 2014.

A projeção de Passos é que o primeiro lote a ser licitado será o da nova concessão da Ponte Rio-Niterói, administrada pela CCR, mas cujo contrato vence em maio do ano que vem.

Segundo a diretora da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), Natália Marcassa, se tudo correr bem o leilão será no fim do ano.

Os outros trechos são: 976 quilômetros das BRs 163 e 230, entre Sinop (MT) e Miritituba (PA); 703 quilômetros da BRs 364 e 060 entre Rondonópolis (MT) e Goiânia (GO); 439 quilômetros da BR-364 entre Jataí (GO) e o entroncamento com a BR-153 (MG); 493 quilômetros das BRs 476,153 e 282 entre Lapa (PR), Chapecó (SC) na divisa do Paraná e Santa Catarina.


BR-153

O Grupo Galvão firmou contrato da concessão da BR-153. O trecho vai de Anápolis (GO), a Aliança do Tocantins (TO) e cruza 23 municípios. Segundo o CEO do grupo, Dario Galvão, dos R$ 4,2 bilhões a serem aportados em três décadas de concessão, R$ 3 bilhões serão até 2019.

Fonte: DCI