segunda-feira, 16 de abril de 2012

Conselho de Logística já funciona no MDIC


Dialogar com empresas, trabalhadores e entidades. Este foi o caminho escolhido pelo governo para estruturar e dinamizar o Plano Brasil Maior, com a organização de conselhos de competitividade. As primeiras reuniões já foram realizadas, colocando em pauta as questões fundamentais que envolvem os segmentos de serviços e logística.

O encontro inaugural do Conselho de Competitividade de Serviços Logísticos (CCSL) ocorreu na quarta-feira, 11, no Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, com a presença de 41 integrantes para discutir e propor políticas para o desenvolvimento do setor que, pela primeira vez, foi incluído na política industrial. Heloisa Menezes, secretária de Desenvolvimento da produção do MDIC, participou do encontro.

O CCSL é coordenado por Humberto Ribeiro, secretário de Comércio e Serviços do MDIC, e tem como vice-coordenador Luiz Carlos Rodrigues Ribeiro, do Ministério dos Transportes. As diretrizes do grupo são a consolidação do planejamento estratégico nacional do setor de transportes, aprofundamento do diagnóstico da cadeia logística ligada ao setor, revisão da matriz de transportes de cargas e promoção da preservação ambiental.

Ribeiro destacou o esforço do MDIC, com apoio do Ministério do Trabalho, da ABDI e do Sebrae, para a criação do conselho, que promoverá a interlocução de empresas de logística, transportadoras, operadores de armazém e operadores logísticos para a discussão de políticas de competitividade e inovação para a sustentabilidade e geração de empregos no setor.

De acordo com o secretário, a lógica de funcionamento do conselho será a convergência de políticas públicas. A discussão de novas medidas de incentivo ao setor será feita a partir do respeito e manutenção a políticas já existentes ou em discussão, como o Plano de Logística de Transportes do Ministério dos Transportes e de documentos dos setores naval e aeronáutico.

COMPETITIVIDADE

Heloisa Menezes ressaltou a importância do grupo como espaço de discussão. “Diretrizes e planos de ação serão levados às instâncias de governança do Brasil Maior”, disse, enfatizando que a criação do CCSL, dentro do Plano Brasil Maior, é um salto qualitativo fundamental por representar uma nova visão de política industrial e de desenvolvimento, que passa a incorporar a estrutura de serviços de logística e de comércio às politicas tradicionalmente adotadas para o desenvolvimento industrial.

“Não deve estar no âmbito desse conselho o desenvolvimento da política de transportes em si, que é responsabilidade do Ministério dos Transportes”, explicou. Ela afirmou que o foco do conselho será discutir como os pontos relacionados a transporte e logística afetam a competitividade da economia brasileira, aumentando os custos e o tempo para o escoamento da produção. Ela também considera importante que o grupo analise, nas próximas reuniões, como aproveitar a onda de investimentos atuais no Brasil e como conduzi-los como geradores de demanda para a indústria nacional.

Fonte: AutomotiveBusines

Duplicação da Tamoios fica 32% mais barata


A duplicação da rodovia dos Tamoios, principal acesso ao litoral norte, ficará 32% mais barata do que previa o governo do Estado. A economia de R$ 264 milhões foi confirmada ontem após a definição da empresa que fará as obras dos dois lotes do trecho de planalto da via, entre os quilômetros 11,5 e 60,48.

Segundo o cronograma, as obras estão previstas para começar daqui a duas semanas. A conclusão deve ocorrer em dezembro do ano que vem, antes do início da temporada de veraneio 2013/2014, segundo a Dersa, estatal que responsável pelo projeto.

Com 17 participantes interessados, o Consórcio Encalço – S.A Paulista venceu a licitação após apresentar os menores valores para duplicar a Tamoios.

Para as obras do lote 1, a proposta foi de R$ 279,1 milhões. Para o lote 2, R$ 278,3 milhões. Com isso, o custo total das intervenções ficará em R$ 557 milhões e não nos R$ 820 milhões previstos inicialmente. O lote 1 vai do km 11,5 ao km 35,8, o 2 do km 35,8 até o km 60,48.

Hoje, a Tamoios opera em pista única em seus 80 quilômetros de extensão, entre São José dos Campos e Caraguatatuba. Durante o verão, turistas enfrentam congestionamentos para trafegarem até as praias do litoral norte e também no retorno à capital paulista.

Com a duplicação da rodovia, a expectativa do Estado é a de conseguir dar maior fluidez ao tráfego de 
veículos.

Fonte: Band.com

Governo prepara "pacote" para portos


Após meses de discussões, o governo finaliza um "pacote" para modernizar e alavancar investimentos no setor portuário, cuja movimentação total de cargas aumentou 67% nos últimos dez anos sem nenhuma expansão relevante da infraestrutura disponível. Há contornos de "pacote" nas medidas, porque elas caminham em três eixos diferentes - o leilão de novos portos públicos, a licitação de 98 terminais existentes e a renegociação dos contratos de delegação de 16 portos da União (administrados por governos estaduais e municipais).

A Casa Civil, a Advocacia-Geral da União (AGU), a Secretaria de Portos (SEP) e Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) discutem os últimos detalhes das medidas. Embora um pequeno grupo defendesse também a privatização de algumas companhias Docas, como forma de potencializar investimentos, a possibilidade foi descartada no curto prazo, diante das dificuldades práticas. Seria preciso reduzir o número de empregados e limpar o passivo trabalhista antes de abrir o capital das estatais, mantendo ou não o controle acionário com o poder público.

Diferentemente dos aeroportos, onde a Infraero tinha uma rede única em todo o país, as Docas cuidam separadamente dos portos em seus Estados e a experiência internacional de gestão privada da macroestrutura portuária é bastante limitada.

O que deve avançar, no entanto, são os primeiros três leilões de novos portos públicos. O de Manaus, com foco na movimentação de contêineres, deve ser o primeiro. Em seguida, devem ser leiloados os projetos de um porto de águas profundas, no Espírito Santo, e do Porto Sul, na região de Ilhéus, na Bahia. Também pode ir a licitação o porto de Imbituba, em Santa Catarina, o único administrado atualmente pela iniciativa privada, e cujo contrato de concessão expira ainda em 2012.

A Antaq já tem pronta uma minuta de resolução, sob análise na Casa Civil, com a modelagem de concessão a ser usada. São, ao todo, 52 artigos. O rascunho da resolução impõe a necessidade de apresentação de estudos de viabilidade técnica e econômica para fixar volumes de cargas a serem atendidos e obrigações de investimentos, define prazo de até 25 anos para as concessões (renováveis por mais 25 anos), estabelece condições para a formação de consórcios e traz regras gerais sobre os contratos.

Ainda não há definição sobre o que determinará os vencedores dos leilões. Cada edital pode ter uma regra diferente. A SEP prefere o critério de menor valor de uma cesta de tarifas. Diante do ágio médio de 347% no leilão dos aeroportos, em fevereiro, a Casa Civil simpatiza com a ideia de uma disputa pela maior outorga.
Três ressalvas devem ser feitas. Há quem defenda, no governo, a inclusão de Aratu (BA) entre os portos a serem concedidos, mas se trata de posição minoritária. Outro ponto importante: o projeto do grupo Terminal Presidente Kennedy na região, em parceria com o Porto de Roterdã, já com protocolo de intenções assinado com o governo capixaba, foi anunciado sem conhecimento prévio da União e só deve ser autorizado como terminal privativo. Como porto público, empreendimento de envergadura maior, deve ser implantado por meio de licitação.

Por fim, há o caso de Imbituba: embora o contrato vença neste ano, nem os estudos de viabilidade para uma nova concessão estão prontos, o que inviabiliza um leilão até dezembro e praticamente assegura uma extensão da outorga do porto em caráter temporário.

O segundo eixo de medidas envolve a licitação de 98 terminais arrendados antes da Lei dos Portos, de 1993, cujos contratos já venceram ou estão por vencer e não podem ser simplesmente prorrogados. São 58 que já expiraram, 27 com prazo estourando em 2012 e outros 13 com duração até 2013. Eles representam quase um terço de todos os arrendamentos e estão espalhados por 15 portos do país.

Há terminais da Petrobras no Nordeste e instalações localizadas na área do Saboó, em Santos, que são consideradas o "filé mignon" do setor: Rodrimar, Termares e Deicmar. O governo corre contra o tempo para promover as licitações no segundo semestre, mas sabe que os prazos ficaram escassos e estuda alternativas. Normalmente, esse tipo de licitação é feita pelas Docas de cada Estado.

Um decreto da AGU pode centralizar o processo na Secretaria de Portos, na tentativa de dar mais agilidade. Já se trabalha com a possibilidade de algumas prorrogações em caráter temporário e emergencial, com prazos "curtos", de dois a três anos, no máximo. Essa solução provisória já foi adotada no caso do terminal de granéis sólidos da Cargill, também em Santos, licitado no fim de 2009 e mantido com a multinacional americana depois de ela ter vencido a disputa.

Nem os novos portos públicos a serem leiloados, nem os arrendamentos em instalações já existentes podem ser confundidos com outro tipo de empreendimento, como o superporto do Açu. Construído pelo grupo EBX, do empresário Eike Batista, trata-se de um terminal de uso privativo, apesar de levar nome de porto. A diferença é que os terminais privativos podem ser construídos mediante autorização - e não uma disputa com concessão -, desde que a maior parte de suas cargas sejam próprias. É por isso que Eike pretende levar para o litoral fluminense negócios como siderúrgica, montadora de veículos e uma pelotizadora.

O último dos três eixos do "pacote" oficial é a revisão dos contratos de portos delegados. Dezesseis portos da União, que representam 32% de toda a carga movimentada no sistema, tiveram sua administração delegada a governos estaduais ou municipais. A prioridade é mexer nos contratos de Paranaguá (PR), Itaqui (MA) e Rio Grande (RS).

O Palácio do Planalto tem vários interesses com essa repactuação. Para começar, pretende transformar as superintendências responsáveis pela administração em empresas públicas, na forma de sociedades de economia mista - o mesmo formato das Docas.

A União quer indicar representantes próprios nas diretorias-executivas desses portos e participar mais ativamente da gestão. Depois, incluirá nos contratos metas de desempenho, ausentes nos documentos em vigência. Como julga que tem assumido sozinho os investimentos, como dragagem e prolongamento de molhes, o governo busca compartilhar tais obrigações.

Na avaliação do governo, há portos delegados que não cumprem à risca a exigência de reinvestir integralmente o lucro obtido com as tarifas. Em alguns casos, as receitas portuárias entram em um caixa único das prefeituras ou dos Estados, gerando confusão no momento de definir o orçamento para obras nos terminais.

O Valor apurou que o caso mais complicado é o de Rio Grande, com a segunda maior movimentação de cargas entre os portos delegados, cuja administração está vinculada à Secretaria Estadual de Infraestrutura e Logística. Isso faz com que a receita obtida pelo porto possa bancar, indiretamente, a folha de pagamento dos servidores gaúchos.

Por envolver negociações com governadores e prefeitos, tanto da base aliada quanto da oposição, a revisão dos contratos é tida como um processo "sensível" politicamente - principalmente em ano eleitoral. O início das conversas pode demorar alguns meses. Não por problemas políticos, mas porque o governo espera a versão final do Plano Nacional de Logística Portuária, que traçará um perfil dos portos e um diagnóstico das necessidades de investimentos até 2030. A elaboração do plano está em fase final.

Além dos três portos escolhidos como prioritários, outras 13 instalações têm a administração delegada a governos estaduais ou municipais: Antonina (PR), Cabedelo (PB), Forno (RJ), Imbituba (SC) - que é uma concessão estadual ao setor privado-, Itajaí (SC), Macapá (AP), Manaus (AM), Recife (PE), Pelotas (RS), Porto Alegre (RS), São Sebastião (SP), São Francisco do Sul (SC) e Suape (PE).
Com essas medidas, o Planalto considera possível dar uma nova cara ao setor. "Até agora, o que fizemos de forma pesada foi dragagem, mas os problemas persistem e precisamos de investimentos", diz um interlocutor da presidente Dilma Rousseff.

Fonte: Valor Econômico

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Santos precisa de US$ 1 bilhão para eliminar gargalos


O porto de Santos precisa aumentar rapidamente sua capacidade de movimentação de contêineres ou o Estado de São Paulo necessitará de um "novo porto de Santos" em dez anos. A conclusão é de um estudo inédito feito pela consultoria de logística alemã DB International a pedido do Centro Nacional de Navegação (Centronave), que reúne os armadores do transporte mundial de longo curso com atuação no Brasil. Para dar conta da demanda projetada de cargas, seriam necessários investimentos estimados entre US$ 800 milhões e US$ 1,1 bilhão que abrangem a eliminação de gargalos de infraestrutura, modernização da superestrutura e procedimentos mais ágeis - tanto no porto como nos acessos a ele.

Do contrário, vaticina a DB, de nada adiantará a entrada em operação de dois novos megaterminais em Santos. "Podem acabar sendo catedrais na Lua", afirma o diretor executivo do Centronave, Claudio Loureiro.

Trata-se de uma referência à construção da Brasil Terminal Portuários (BTP) e da Embraport. Ambas têm entre os sócios empresas operadoras mundiais de mais de 100 terminais de contêineres ao redor do mundo, e repetem em Santos projetos de ponta, que integram uma nova escala portuária brasileira. Em operação no Brasil hoje, somente o Tecon Santos, da Santos Brasil, tem números semelhantes.

Juntos, BTP e Embraport quase duplicarão a atual oferta de contêineres em Santos, para 5,6 milhões de TEUs (contêiner de 20 pés) até o fim de 2013, quando a primeira fase dos dois terminais estarão concluídas. Mas o estudo da DB aponta que, sem a melhoria dos gargalos, Santos conseguirá escoar no máximo 4,2 milhões de Teus, já contando a entrada em operação dos novos players.

A permanecer os índices de crescimento da economia brasileira, numa projeção para os próximos anos o fluxo de contêineres em Santos seria de 8 milhões de Teus em 2024. "Isto significa um crescimento anual médio de 8% entre 2010 e 2024, bem inferior ao crescimento anual médio real de 12,4% experimentado entre 2002 e 2010 no porto", diz Loureiro. Por isso, diz, fazer novos terminais sem desenvolver rodovia e ferrovia é como construir um shopping sem estacionamento.

"No Brasil existe o hábito de se enxergar porto como uma instalação. Não é isso. Porto é um sistema, como um veículo. Ou se faz a melhoria nos gargalos ou se parte para um novo porto. A indústria toda de São Paulo escoa e recebe via a atual infraestrutura de Santos que está esgotada", sustenta.

Uma das anomalias mais latentes que contribui para esse cenário é conhecida: o desequilíbrio da matriz de transporte. Apenas 1% dos contêineres destinados a Santos chega por trem. E da movimentação total do porto, incluindo cargas como graneis líquidos, sólidos e de projetos (98 milhões de toneladas em 2011), 85% acessa o complexo por caminhão.

A DB International é um conglomerado que tem em seu portfólio de atividades o planejamento, a construção e a operação de ferrovias. Somente na Europa opera cerca de 65 mil km de linhas férreas, aproximadamente três vezes o tamanho de toda a malha brasileira.

O levantamento foi realizado ao longo de 2010 e envolveu a coleta e análise de dados com 25 atores entre órgãos públicos, agências reguladoras, associações de classe, concessionárias férreas, armadores e exportadores e importadores.

A necessidade de investimentos recai especialmente sobre a saturada infraestrutura de acesso ao porto, dragagens e alargamento do canal de navegação, construção de interconexões de trilhos e vias dentro do porto, ligação entre as duas margens (Santos e Guarujá), e novos e maiores berços de atracação. Ainda, a adoção de sistemas informatizados, como o monitoramento do tráfego de navios (o VTMIS, na sigla em inglês), possibilitando reduzir os tempos de fechamento do porto por mau tempo.
Finalmente, Loureiro defende avanços reais - e não retóricos - na diminuição dos processos burocráticos que envolvem o comércio exterior via porto. De 13 ações listadas que dependem do poder público, apenas uma, a dragagem do canal, está em curso.

As deficiências, diz ele, comprometem o desempenho dos terminais, que fazem um trabalho "hercúleo" dadas as condições de restrição de área e berços de atracação pequenos, que não atendem as mais novas gerações de navios. A DB usou como referência terminais considerados ilhas de excelência na movimentação de contêineres em portos europeus e asiáticos. Os números mostram que ainda há espaço para melhorar a produtividade também da iniciativa privada. Por exemplo, no menor terminal de Santos o baixo número de contêiner movimentado por funcionário poderia ser atribuído ao tipo de equipamento mais antigo, o MHC (Mobile Harbour Crane). Mas o maior terminal de Santos usa os equipamentos mais modernos (chamados portêineres) e mesmo assim tem uma performance pelo menos três vezes menor nesse quesito.

Fonte: Valor Econômico