quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Prefeitura de SP quer criar zona mista para diminuir congestionamentos


O crescimento desordenado de São Paulo teve reflexo na mobilidade urbana e nos congestionamentos. Para especialistas, a criação de zonas mistas seria uma forma de diminuir os deslocamentos na cidade e colaborar para a diminuição do trânsito.

Apesar de o Centro concentrar 17,1% dos empregos da cidade, menos de 4% da população da capital mora na região. Por isso, a Prefeitura de São Paulo quer que prédios residenciais sejam construídos onde já existe bastante emprego e também quer levar emprego para regiões onde moram muitas pessoas - as chamadas zonas mistas.

Para organizar o crescimento urbano existe a Lei de Zoneamento, que determina quantos prédios uma rua pode ter, em que regiões o comércio por se instalar. Mas segundo especialistas, muitos ponto precisam ser revistos.

“Nossa Lei de Zoneamento tem muitos aspectos que precisam ser revistos, como por exemplo, a dificuldade de se aprovar um condomínio com uso misto, com comércio embaixo e residência em cima”, diz o professor de arquitetura da USP Renato Cymbalista.

Em entrevista ao Bom Dia São Paulo desta quarta-feira (7), o secretário municipal de Desenvolvimento Urbano, Fernando de Mello Franco, disse que uma das providências da Prefeitura é a revisão da Lei do Zoneamento e do Plano Diretor, que regula o planejamento da cidade.

“Estamos revendo o Plano Diretor, o zoneamento e outras leis, que a gente chama de marco regulatório, que é um instrumento que o poder público tem para conduzir e orquestrar o desenvolvimento da cidade. Queremos incentivar e exigir que o crescimento da cidade passe a ser feito numa relação direta com esses eixos de mobilidade existentes e futuros que devem ser construídos num ritmo mais acelerado”.

A Prefeitura diz que pretende levar emprego para regiões populosas, como a Zona Leste. “A região de Zona Leste é uma região prioritária que precisa receber incentivo dos mais diversos para de fato oferecer mais emprego, mas não é a única estratégia. Temo que ter uma estratégia para a totalidade da cidade e isso vai se dar a partir do fortalecimento de investimento, no fortalecimento de uma rede bastante abrangente de transporte público de média capacidade”.

Outra preocupação é com a mobilidade do pedestre. “Temos vários extratos porque a cidade é muito complexa e um deles é uma rede de calçadas e de ciclovias qualificadas que sirvam de alimentadores, ou seja, que leve a pessoa da casa dela para o trabalho ou para escola, mas, sobretudo também para os meios de transporte, que vão levar esta pessoa para o restante da cidade”.

Microcidades

Para o professor da USP Nicolau Gualda, o aumento na oferta de Metrô, trem e ônibus, é um complemento e não uma solução. O grande desafio do governo, na opinião do professor, é encurtar as distâncias.

Uma das soluções apontadas por ele seria a criação de microcidades. A metrópole de 11 milhões de habitantes seria fatiada em 11 pedaços, cada um com 1 milhão de habitantes. Os pedaços da cidade seriam autossuficientes, com moradias, mas também hospitais, escolas, opções de lazer e, principalmente, empregos. Atravessar a cidade seria uma opção e não uma necessidade como é hoje.

“É preciso mudar esse conceito, esse paradigma levando emprego para as regiões onde hoje há excesso de moradia, e levando moradia pras regiões onde hoje há excesso de emprego. Não vejo outra saída para São Paulo no longo prazo senão uma reorganização territorial de toda a cidade, de toda a região metropolitana”, diz Gualda.

Gualda acredita que a solução está na criação de sub-cidades autossuficientes. “Acredito que a base para você criar sub-cidades na cidade de São Paulo seria você dar mais autonomia para as subprefeituras, mais autonomia e mais incentivo, para virarem realmente prefeituras e criarem realmente sub-cidades”.

Fonte.: G1