terça-feira, 4 de setembro de 2012

Viadutos da região estão abandonados


Os cerca de 40 viadutos do Grande ABC sob responsabilidade das prefeituras sofrem com a falta de manutenção preventiva e a degradação decorrente do excesso de veículos. A equipe do Diário percorreu nesta semana os elevados da região que registram circulação mais intensa. O engenheiro Luiz Sérgio Coelho, professor da FEI (Fundação Educacional Inaciana), acompanhou a reportagem e avaliou as condições das vias.

Entre os principais problemas estruturais apontados pelo especialista estão o afastamento das vigas, infiltração, buracos e ondulações, além de falta de limpeza e da desobstrução de bueiros. "Quando o lixo entope as bocas de lobo, a água irá procurar outros caminhos para o escoamento. Aí surgem as infiltrações", explica Coelho.

Outra irregularidade apontada é a presença de vegetação em vãos existentes. "As raízes podem forçar a estrutura, provocando rachaduras e a separação das vigas", acrescenta.

Os dois viadutos visitados no Centro de Mauá apresentam problemas. No Mário Covas, as juntas de dilatação - encontro entre o pilar e a viga - estão afastadas. O ideal, segundo Coelho, é que a distância entre as placas seja de, no máximo, dois centímetros. "Em alguns pontos, foi colocada argamassa sobre o vão. Isso diminui o desconforto para os motoristas, mas não tem efeito nenhum." De acordo com Coelho, as juntas se afastam por conta do excesso de peso e da vibração.

No Juscelino Kubitschek, não há guard rail central. A divisão entre as pistas foi feita de forma improvisada, com blocos de concreto. Parte da proteção externa caiu. Vergalhões de ferro são usados como ‘parede'. O acesso para pedestres é precário. Foi feita escada de madeira no início do elevado, que oferece riscos aos transeuntes. Manchas pretas nas lajes indicam a presença de infiltração.

A Prefeitura de Mauá informa que faz a limpeza e a manutenção preventiva periodicamente. A administração diz que "sinais de infiltração não interferem nas estruturas dos viadutos".

Outro elevado em más condições é o Independência, em São Caetano, que liga o Centro ao bairro Fundação. O viaduto apresenta ondulações, o que, segundo o engenheiro, já é um sinal de que a estrutura está comprometida. As juntas de dilatação também estão com distância maior do que a recomendada, e a limpeza dos bueiros não é adequada. A Prefeitura informa que equipe da Secretaria de Serviços Urbanos esteve no local na sexta-feira e diz não ter encontrado as observações feitas pelo professor. A Pasta informa que a limpeza é feita diariamente e a manutenção corretiva é executada conforme a necessidade.

Em diversos locais, é comum sentir a via balançar durante a passagem de veículos pesados. Coelho salienta que a sensação, apesar de comum, não deveria ser experimentada. "É uma indicação de que a viga já está flexível."

Para reformar os elevados, o especialista recomenda a interdição total. "É preciso elevar novamente as vigas, trocar o aparelho de apoio sobre os pilares e reforçar a proteção." Coelho ressalta que as vias têm de ser adaptadas para aguentar maior quantidade de peso. "Esses viadutos são antigos. Na época em que foram construídos, as cargas que passavam eram bem menores."
Especialista aponta falhas em pista recém reformada

Reformado em maio, o Viaduto Castelo Branco, em Santo André, já apresenta problemas estruturais. O engenheiro Luiz Sérgio Coelho, professor da FEI (Fundação Educacional Inaciana) aponta para o desgaste nas juntas de dilatação e sinais já avançados de infiltração, principalmente nos pilares.

Outra observação relevante é o desnível entre as vigas. A Prefeitura informa que, durante as obras recentes, eliminou buraco na pista sentido bairro. O elevado fica ao lado do Terminal Rodoviário do município.

"O fato de o viaduto ter sido pintado e pavimentado, não interfere em absolutamente nada na estrutura. Os problemas persistem", critica o professor.

A equipe do Diário também passou pelo Viaduto Pedro Dell'Antônia, no Centro, que apresenta situação melhor. "Os vãos entre as vigas estão adequados e não há lixo nas laterais", observa Coelho. O elevado, segundo a administração municipal, passou por grande intervenção em 2006, quando foram feitas "obras de recuperação das juntas de dilatação e manutenção geral em pilares".

Em São Bernardo, as principais falhas apontadas são relacionadas à limpeza. No Viaduto José Fernando Medina Braga, no Centro, as bocas de lobo estavam entupidas. No Viaduto Rotary, inaugurado em 2010, também há sinais de sujeira e início de infiltração. A Prefeitura foi procurada durante a semana, mas não se manifestou.

Prefeituras ignoram sinalização de altura das passagens

A maioria dos viadutos visitados pela equipe do Diário não tem placas para sinalizar a altura da passagem em relação ao solo. O engenheiro Luiz Sérgio Coelho alerta que, apesar de o CTB (Código de Trânsito Brasileiro) não obrigar a instalação das placas, é recomendável que haja a indicação. "Se um motorista de um caminhão com 4,5 metros de altura ver que o viaduto tem apenas quatro metros, não passará por lá", explica o professor da FEI (Fundação Educacional Inaciana).

O especialista aponta para riscos, como o de o veículo ficar entalado sob o elevado. "Isso vai danificar ainda mais as estruturas, que já estão ruins." Em algumas das vias da região, a parte de baixo das vigas está arranhada, o que indica que já houve pequenos acidentes com caminhões altos.

Entre os viadutos percorridos pela reportagem, apenas o Juscelino Kubitschek e o Mário Covas, ambos em Mauá, apresentavam o limite de altura.

A Prefeitura de São Caetano não se manifestou quanto à falta de placas. O Executivo de Santo André informa que "prioriza a colocação de placas em pontes a fim de melhorar as condições de segurança" e a indicação de altura em viadutos onde já foram registrados acidentes por esse motivo. São Bernardo não respondeu ao Diário.

Fonte: Diário do Grande ABC