quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Perigo de acidentes e assaltos nas rodovias mineiras


O assistente administrativo Niwton Antônio Guimarães, de 33 anos, não dirige mais com tranquilidade quando volta da faculdade à noite pela BR-381, em Sabará, na Região Metropolitana de BH. Assaltado ao parar o carro perto da ponte sobre o Rio das Velhas, ele levou três tiros dos ladrões, que queriam seu Polo. A dupla acabou fugindo apenas com um celular, depois de balear o rapaz no peito, no braço e na perna. O caso não é isolado e mostra aos motoristas que se preparam para pegar as estradas para o feriado de amanha que, além do risco de acidentes, devem ficar alertas também para evitar a ação de criminosos. Balanço da Polícia Rodoviária Federal (PRF) mostra que tem aumentado o número de ocorrências relacionadas a crimes contra o patrimônio nas BRs que cortam o território mineiro.

Já são mais de 600 casos só no primeiro semestre deste ano, relativas a situasções como roubo de veículos e cargas, furto de peças e assaltos a estabelecimentos comercias. A média é de mais de três casos por dia nos 6,3 mil quilômetros de estradas federais sob jurisdição da PRF. No período, o total de crimes patrimoniais já rivaliza com o número de registros relacionados especificamente com o trânsito: cerca de 700 no primeiros seis meses, tendo como campeões excesso de carga e embriaguez.

Mas são os ataques na beira das rodovias, especialmente em pontos comerciais, que mais preocupam os motoristas, embora não apareçam nos números da PRF. O inspetor Adilson Souza, da assessoria de comunicação da PRF em Minas, afirma que a criminalidade é crescente em todo o país e que os estabelecimentos às margens das rodovias não estão livres dessa realidade. “A marginalidade é organizada e monitora as viaturas. São 6,3 mil quilômetros fiscalizados pela PRF no estado. A criminalidade na rodovia existe e não vou dizer que está sob controle, mas estamos fazendo trabalho de inteligência e ações preventivas em conjunto com outros órgãos para tentar minimizar a ação dos criminosos. É uma luta de gato e rato”, disse o inspetor, lembrando que este ano foram recuperados 300 veículos roubados, com prisões de suspeitos.

A ação policial, porém, não é suficiente para dar tranquilidade a quem corta o território mineiro pelas BRs ou para quem mora e trabalha às margens delas. Niwton Guimarães, cuja família mantém um restaurante há 40 anos na BR-381, em Sabará, diz que os relatos de vítimas de assalto são cada vez mais frequentes. “Há também venda de drogas às margens da estrada e até troca de tiros entre traficantes”, denuncia. Ele recomenda cautela na rodovia: “Muitos ladrões atacam quando o motorista diminui para passar pela lombada eletrônica”. Quando há feriado, o risco é maior, principalmente quando o trânsito fica lento e os ladrões atacam.

Roubos em série - Na BR-040, sentido Sete Lagoas, a insegurança se repete. Outubro mal começou e um posto de combustível em Ribeirão das Neves, na região metropolitana, já foi assaltado três vezes. No mês passado, foram outras três ocorrências. O frentista Wasley Ferreira, de 27, trabalha no lugar há três anos e conta que foi rendido sete vezes. “Já usaram até metralhadora”, disse Wasley. Um colega, conta, pediu demissão depois de ser espancado e agredido a coronhadas.

Uma situação que faz a técnica em segurança do trabalho Karla Gonçalves, de 32, dirigir com medo. “Um amigo meu foi surpreendido por um homem deitado na estrada, fingindo um atropelamento. Ele quase parou, mas o cunhado dele alertou para não fazer isso, pois acreditava ser um assalto”, afirma. A bancária Natália Sá, de 25, tem relato parecido. “Meu amigo foi surpreendido por pneus fechando a BR-040, em Ribeirão das Neves. Parou e os ladrões levaram o carro dele”, disse.

O inspetor Adilson Souza afirma que a PRF tem mantido contatos com donos de estabelecimentos comerciais em sua área de domínio e passado telefones para casos de emergência. Ele alerta os motoristas que as paradas no acostamento só devem ocorrer em caso de real necessidade, pois nesse momento os ocupantes de veículos ficam vulneráveis. “O condutor deve prestar atenção a tudo o que acontece à sua volta. Se notar que está sendo seguido por veículo estranho, deve parar em um posto ou em outro lugar movimentado e telefonar para a polícia”, aconselha o agente, lembrando que a Polícia Rodoviária Federal de Minas conta com 838 policiais e 300 carros e motos para fiscalizar os mais de 6 mil quilômetros de rodovia.

Fonte.: Estado de Minas